domingo, 19 de junho de 2022

O que eu detesto na indústria cinematográfica


O cinema, hoje em dia, é um dos maiores veículos de entretenimento e comunicação que temos. Apesar de pouco a pouco ser substituído por grandes aplicativos e sites de streaming, ele ainda não está extinto.

E como um veículo gigante, muitos profissionais da área utilizam desse poder para pintar e bordar, envenenando a indústria. Isso vale desde a construção de um personagem até os abusos que ocorrem no set de filmagem, quais muitos ainda não sabemos. E como uma pessoa que almeja trabalhar com cinema, é triste ver algo que você ama e acredita sendo corrompido e passando adiante mensagens falsas e pejorativas.

Uma das coisas que mais me deixa angustiada nos filmes de Hollywood é o fato de não haver miscigenação. Claro que isso é muito mais visto no Brasil por sua grande diversidade, mas não se limita apenas aqui. E quando vejo em um filme pais que possuem uma cor de pele diferente do filho eu fico animada, mas logo vem a quebra de expectativa. Porque, na maioria das vezes, ou a criança é adotada ou é fruto de uma traição, e eu fico me perguntando: "onde fica a diversidade?".

Algo que foi uma luta, e ainda é na indústria cinematográfica, é a representatividade de minorias. Pouco a pouco, pessoas LGBT's+, negras, asiáticas, neurodivergente, etc. estão ganhando espaço nas telas. Porém, nem sempre uma representatividade boa. Vou utilizar o filme Fragmentado como exemplo, um homem com 21 personalidades diferentes é o responsável por cometer crimes em pró de uma ideologia sobre o que chamam de "a Besta" ou "a Fera" que seria uma outra personalidade, que possui poderes sobre-humanos. E a culpa de cometer tais crimes é justamente de quem? Exato, de outras personalidades. O filme junta realidade e ficção em cima de uma condição neurológica real, e diversos profissionais da área e pessoas com TDI se mostraram pouco satisfeitos com o enredo do filme, justamente por isso.

Ainda retratando o tópico representatividade, pessoas realmente surdas, cadeirantes, cegas estão em falta nos elencos dos filmes. Sempre são chamados atores perfeitamente saudáveis para interpretar essas pessoas, há apenas algumas poucas exceções como nos filmes "Baby Driver" (2017) e em "Eternos" (2021) onde chamaram atores com as reais condições de seus personagens.

Puxando um fio de "Eternos", um de seus maiores pecados foi colocar brasileiro falando espanhol. Quando o grupo vai parar na Amazônia atrás de Druig, o mesmo pergunta algo ao grupo atrás dele e um dos homens responde em espanhol (sim, isso me deixou full pistola, porque muitas pessoas de fora acham que falamos espanhol).

Algo muito comum quando se faz uma cinebiografia é incrementar uma mentirinha aqui outra ali, porém em algumas mudam totalmente o rumo da história. Dois grandes exemplos disso foram as cinebiografias "Rocketman" (2019) e "Bohemian Rhapsody" (2018). Uma cena super dramática em Rocketman foi o cancelamento do show na Madison Square Garden em 1984 onde ele cancela o show minutos antes e parte para a clínica de reabilitação com fantasia e tudo. O que realmente ocasionou o cancelamento do show foi uma gripe forte, e não a "queda da ficha", além de Elton John ir para a clínica apenas em 1990. Agora Boh Rhap se tornou uma ordem cronológica super desorganizada. Como por exemplo a composição de "We Will Rock You", no filme aparece lá pros anos 80 e a música foi composta e lançada originalmente em 1977 no "News of the World". Apesar de algumas mentirinhas desses filmes, são produções fantásticas.

Os maiores problemas dessa indústria são a ganancia e as passadas de pano quando alguém do ramo faz polêmica, além de focarem demais naquilo que o público quer e muito pouco naquilo que o público precisa. Porque o que eu mais percebo é que eles não se preocupam muito em fazer uma história boa, eles querem apenas vender sem se importar com as massas, no caso nós.


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