sábado, 25 de setembro de 2021

Cinderela: filme que quebra padrões [Alerta de spoiler]

   Muitos conhecem a história da garota que tem uma madrasta malvada, duas meia irmãs e que em uma noite de baile recebeu  visita de uma fada madrinha.

  Ao longo dos tempos, desde a criação deste conto, conhecemos diversas versões desta história, além de várias produções cinematográficas como o curta da Betty Boop "Poor Cinderella" (1934), a trilogia animada da Disney, "Caminhos da Floresta" (2014) e o live action de 2015. Mas agora ganhamos uma nova versão, que condiz muito com a nossa realidade, juntamente aos acontecimentos da época.

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   O novo filme "Cinderela"  apresenta Ella (Camila Cabello) uma garota que deseja realizar seu sonho de se tornar uma estilista dona de seu próprio negócio, mas sua madrasta (Idina Menzel) possui outros planos para ela.

  Eu achei uma das melhores versões feitas até hoje, não só pela atuação e o elenco, mas sim pela produção, o enredo e a entrega que toda a equipe pôs na obra.

  Essa nova versão é um musical (então vai ter gente cantando de 10 em 10 minutos sim), além da ótima seleção de músicas que se encaixam perfeitamente com os momentos do filme, no começo, por exemplo, as ações e sons que os personagens produzem estão em ritmo com a música de fundo (é uma coisa linda, minha nossa). 

  O musical conta com algumas músicas bem (mas, bem) chicletes e outros clássicos na cultura pop, como "Watta Man", "Material Girl", "Perfect", "Somebody to Love" e até mesmo "Seven Nation Army" (Sim, eu sei, uma música de rock em um musical de época não faz o menos sentido. Porém, contudo, entretanto, a versão que adaptaram para o filme é de impressionar).

  O fado madrinho de Ella (Billy Porter) já é um pé na porta do tabu, minha gente (O que adorei por sinal), porque ao contrário da fada madrinha da animação ser uma senhorinha bondosa e o live action de 2015 ser uma mulher jovem e entusiasmada, a versão de 2021 nos dá um homem entusiasmado e realista (chega a ser irônico, porque estamos falando de magia). Além de possuir um figurino maravilhoso e equilíbrio o bastante para zanzar de uma lado para o outro de salto (coisa que nem nossa Ella conseguiu fazer direito). 

  Muitos pontos da história nos apresentam momentos em que nos identificamos com a Ella, esbarrando nas coisas, caindo, tropeçando e falando sozinha (me identifico com todas). A questão da Camila Cabello ser conhecida como cantora, explica bastante do porquê ser um musical, mas apesar disso, sua atuação é notável, você vê que ela passa a emoção da personagem de forma única e chora bastante (lembra um pouco o Matthew McConaughey).

  Agora, a relação com a madrasta é algo mais emocional, pois aqui deram um passado que explica um pouco sobre sua personalidade e tentar tirar os sonhos de Ella. No passado, ela possuía um dom, tocar piano, mas seu sonho de ser musicista foi interrompido, pois seu primeiro marido a sabotava emocionalmente, fazendo com que se conformasse apenas em ser mãe e dona de casa. E ela acaba por querer o mesmo destino para Ella e suas duas filhas, pois está sempre falando sobre casamento e que esta é a obrigação para com a sociedade.

  É perceptível que a madrasta dessa versão não é aquela bruxa como em outras versões, claro ela possui alguns picos de desentendimento com a protagonista, ela faz isso apenas por desespero de sustentar as quatro. Mas não justifica querer apagar os sonhos de alguém.

  Suas meia irmãs não possuem muita participação no filme, mas podemos ver que elas possuem certa afeição pela garota, mesmo em silêncio e não demonstrando em ações.

  Chegamos no príncipe Robert (Nicholas Galitzine), o par romântico de Ella. Sinceramente, dá uma raiva desse guri no começo do filme, mas de acordo que o tempo vai passando você percebe um amadurecimento da parte dele (eu acho muito legal quando possui esse desenvolvimento em um personagem, fica mais fácil do público se identificar com o personagem em si). Nos é apresentada também, Gwen (Tallulah Greive), a irmã do príncipe. Que possui diversas ideias para melhorar o local que habitam, mas é ignorada pelo seu pai Rei Rowan (Pierce Brosnan) por ser a caçula, portanto segunda na linha de sucessão ao trono.

  Esse príncipe, ao contrário dos outros, possui uma determinação muito maior. Pois, na história ele avista Ella muito antes do baile acontecer (em uma situação um tanto cômica) e com isso se disfarça para ir até o vilarejo encontrá-la e conversar com a garota que lhe chamou atenção.

  Esse filme veio, realmente para quebrar diversos tabus, mas ainda passar diversas mensagens. Deram um propósito para a protagonista, uma história para a madrasta e demonstrações de prioridades de cada personagem. Então acho que agrega diversos valores que pouco a pouco vem sendo esquecidos.

  Personagens carismáticos, um enredo bem produtivo, trilha sonora está de matar, os figurinos estão espetaculares e aquela pitada de realismo e magia equilibrada estão designados ao sucesso e a graça do público.